Nos últimos anos, a ideia de criar uma bucket list, uma lista de experiências e destinos a viver, tornou-se quase obrigatória para quem sonha viajar. Impulsionada pelo cinema e amplificada pelas redes sociais, esta tendência moldou o modo como muitos planeiam as suas aventuras e viagens. Mas será que esta uniformização dos desejos de viagem está a prejudicar a autenticidade do turismo global?
De Hollywood ao Instagram: como nasceram as bucket lists
O termo bucket list ganhou notoriedade com o filme The Bucket List (2007), protagonizado por Jack Nicholson e Morgan Freeman. A partir daí, o conceito espalhou-se pelo mundo, transformando-se numa espécie de guia aspiracional para viajantes.
No entanto, o que começou como um exercício de reflexão pessoal evoluiu para algo diferente. Hoje, muitas listas parecem cópias umas das outras, moldadas por algoritmos e conteúdos virais no Instagram e no TikTok.

Itália: muito além de Veneza e Florença
Um dos casos mais evidentes deste fenómeno é Itália. Apesar da sua diversidade cultural e geográfica, 70% dos visitantes internacionais concentram-se em apenas 1% do território.
Para contrariar esta tendência, a campanha “99% de Itália”, lançada pela Visit Italy, convida viajantes a explorarem aldeias medievais como Serra San Quirico ou Sorano, menos conhecidas, mas ricas em autenticidade.
“Enquanto alguns destinos se tornam frágeis e congestionados, grande parte do país permanece invisível”, sublinha Ruben Santopietro, fundador da iniciativa.
Albânia: o Mediterrâneo ainda por descobrir
Enquanto destinos como Grécia ou Croácia recebem milhões de visitantes, a Albânia permanece surpreendentemente fora do radar. Com praias de águas cristalinas na Riviera Albanesa, cidades históricas como Berat (Património da UNESCO) e paisagens de montanha nos Alpes Albaneses, o país começa a posicionar-se como alternativa sustentável ao turismo de massas no Mediterrâneo.
Japão: o turismo consciente do futuro
O Japão também enfrenta os efeitos da massificação turística. Em resposta, operadores como a InsideJapanTours têm promovido o conceito de undertourism, que consiste em incentivar viagens para regiões menos visitadas, como Toyama, sem excluir cidades icónicas como Tóquio e Quioto.
Segundo Rob Moran, responsável pela sustentabilidade da agência, “não é preciso passar duas semanas longe dos grandes centros; pequenas mudanças já fazem uma grande diferença”.
Eslovénia: o equilíbrio entre natureza e cultura
A Eslovénia tem sido pioneira no turismo verde, chegando a ser distinguida como “Destino Sustentável” pelo Green Destinations. Em vez de concentrar visitantes apenas em Ljubljana ou no Lago Bled, o país promove aldeias alpinas, vinhas no vale de Vipava e experiências de ecoturismo no Parque Nacional Triglav.
Tailândia: voos gratuitos para novos destinos
Mais a sul, a Tailândia decidiu apostar na redistribuição do turismo através do programa “Buy International, Free Thailand Domestic Flights”.
Com início previsto para setembro, a iniciativa vai oferecer voos domésticos gratuitos a turistas internacionais, permitindo descobrir cidades reconhecidas pela UNESCO e afastadas dos circuitos tradicionais como Bangkok ou Phuket.
O objetivo? Atingir 200 mil viajantes até 2025 e fortalecer a economia nacional durante a época alta.
Rumo a uma nova forma de viajar
Perante estas iniciativas, a pergunta impõe-se: será que estamos a viajar para viver experiências ou apenas para colecionar fotografias?
Talvez esteja na hora de repensar não só nos destinos, mas na forma como olhamos para eles. Viajar não precisa de ser uma checklist, pode e deve ser um caminho de descoberta genuína e a nossa equipa está ansiosa para te ajudar na tua próxima aventura. Pede já o teu orçamento aqui.
